A peça A Idade do Silêncio na perspetiva do espetador Mário Jorge Santos












"Na peça se deixa pistas para reflexão e sentido crítico se quisermos compreender uma sociedade envelhecida em que os apoios e presença efetiva junto dos mais velhos, aliás cada vez em maior número, se vão esbatendo na vertigem dos dias que se esgotam num tempo cada vez mais escasso e precário, espelho de uma sociedade que precisa, desesperadamente, de se humanizar, viver mais devagar e encontrar os meios para inverter tendências individualistas, egoísmos e ações sem coração nem emoção..."

A IDADE DO SILÊNCIO na perspetiva do espetador Mário Jorge Santos que assistiu ao espectáculo, apresentado no sábado passado no CAE.
"O trabalho de investigação e de observação, num lar de idosos, forneceu a base para a montagem de um espetáculo sobre a vida na última etapa da vida.
A originalidade reside no que os autores chamam de 'marionetas humanas' em que, da cintura para cima, eles próprios manejam réplicas em silicone dos seus troncos e rostos envelhecidos a que vão dando movimento e expressão, interpretando ações e diálogos (sem qualquer texto) enquanto se servem das suas próprias pernas para se movimentarem em cena, numa lentidão de passos hesitantes e frágeis e onde aparece refletido sentimentos de distanciamento, solidão e de dificuldade.
Os cerca de cinquenta minutos de representação sem mudança de cena são intercalados por projeção de audio visuais cuja natureza parece simbolizar a vida que decorre no exterior, frenética, plena de movimento e em contraste com a lentidão do interior, própria de um mundo onde são as dificuldades físicas e os distúrbios de ordem mental que dominam os intervenientes
Na peça se deixa pistas para reflexão e sentido crítico se quisermos compreender uma sociedade envelhecida em que os apoios e presença efetiva junto dos mais velhos, aliás cada vez em maior número, se vão esbatendo na vertigem dos dias que se esgotam num tempo cada vez mais escasso e precário, espelho de uma sociedade que precisa, desesperadamente, de se humanizar, viver mais devagar e encontrar os meios para inverter tendências individualistas, egoísmos e ações sem coração nem emoção.
É o que se analisa no final do espetáculo quando os dois atores vêm à boca do palco ouvir interpretações e opiniões do público e com ele discutirem o tema de tanta importância e tão presente, nos dias de hoje.
Deixo o meu aplauso. Muito bom. "
Sever do Vouga, 4 de Novembro de 2018.
Mário Jorge Santos. 

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